Publicado em 23/08/13 às 10h42

As longas rodadas de conversas e negociações, tanto do lado do
governo como da oposição, se multiplicaram nos últimos dias por uma
razão muito simples: ainda faltam 14 meses para as eleições, mas o prazo
para cada lado acertar seu jogo na sucessão presidencial de 2014
termina no próximo dia 5 de outubro.
É bem diferente, embora ambos enfrentem problemas, a situação neste
momento no PT e no PSDB, mais uma vez os dois principais partidos na
disputa, como tem acontecido nos últimos 20 anos em que eles se
revezaram no poder.
No caso do PT, todo esforço se concentra para manter a aliança com o
PMDB nos palanques estaduais, uma relação agora mais difícil depois que
Dilma perdeu popularidade e o partido do vice Michel Temer aumentou seu
cacife. Foi este o tema central da conversa de mais de três horas de
Dilma com Lula num hotel em São Paulo na quinta-feira.
Na segunda-feira, o presidente do PT, Rui Falcão, e Michel Temer já
haviam tratado das dificuldades para fechar a aliança em 15 Estados.
Alguns são casos dados como perdidos, como o Rio de Sergio Cabral, onde
os dois partidos decidiram lançar candidatos, mas surgiram problemas
novos no Paraná e no Mato Grosso do Sul, onde não é mais tão certo que o
PT tenha o candidato a governador em aliança com o PMDB.
E mais uma vez a disputa interna no PSDB, agora uma guerra aberta, se
dá entre o mineiro Aécio Campos e o paulista José Serra, imobilizando o
partido nesta pré-campanha. Das outras vezes, Aécio queria prévias para
derrotar Serra, o candidato da cúpula. Agora, marginalizado e sem
forças no partido, é Serra quem quer as prévias. Aécio até topou, mas é
tudo só um jogo de cena. Serra impôs um monte de condições, que não
serão aceitas, e Aécio quer as prévias só no ano que vem, após o prazo
legal para Serra mudar de partido, como anda ameaçando.
Mentor da candidatura de Aécio Neves, o ex-presidente Fernando
Henrique Cardoso vai conversar com os dois neste final de semana, quando
Aécio virá a São Paulo para fazer campanha no interior e se aproximar
das lideranças tucanas paulistas que ainda resistem ao seu nome. A
chance de FHC conseguir acertar uma trégua entre os dois postulantes
tucanos e convencer um a apoiar o outro, caso aconteçam as prévias, é
praticamente zero. Serra se acha traído por Aécio não lhe ter dado o
apoio devido em Minas nas duas eleições que perdeu para o PT, em 2002 e
2010. Serra só quer ser candidato, na verdade, para se vingar do
mineiro e infernizar a vida de Aécio, no PSDB ou em qualquer outro
partido. Sabe que suas chances agora são menores do que das outras
vezes.
Na espreita, como de costume, está uma figura menor da política, mas
com grande espaço na mídia, o eterno presidente do PPS, Roberto Freire,
que aguarda ansioso por uma definição de Serra, mas mantém as portas
abertas para Marina Silva, se ela não conseguir legalizar a sua Rede, ou
então fechar uma aliança com seu conterrâneo Eduardo Campos, governador
de Pernambuco e presidente do PSB, que voltou a se movimentar com
vistas a 2014. O PPS, que não tem candidato, está aberto para qualquer
um que queira derrotar o PT.
O tempo é pouco para tantos acertos, o que deixa o quadro sucessório
cada vez mais indefinido, bem diferente das campanhas anteriores quando o
Fla-Flu entre PT e PSDB se delineava claramente bem antes das eleições.
Os personagens principais, como se pode ver pelo título desta
coluna, continuam sendo os mesmos, mas o jogo agora é bem mais
complicado. Se a economia der uma melhorada neste segundo semestre, e
crescer com mais força no ano que vem, com esta oposição, Dilma ainda
corre o risco de ganhar a reeleição por WO.